terça-feira, 15 de novembro de 2011

A vida pós gastroplastia

Nos últimos meses, diversas pessoas me procuram, muitas delas interessadas em informações sobre gastroplastia e querem saber como é a minha vida após a cirurgia.

Não sei se conseguirei explicar detalhadamente, mas tentarei através deste post, relatar o meu dia a dia de maneira que possa contribuir nas decisões e melhoria de cada um dos interessados.

Operei no dia 8 de julho, portanto, há quatro meses minha vida mudou completamente. Desde então, eliminei 40kg o que facilitou demais a minha vida em todos os sentidos.

Houve melhora na locomoção, nos probleminhas básicos de saúde, na auto estima, no humor e em diversos outros pontos, mas nem tudo são absolutamente flores.

A técnica usada pelo meu cirurgião, Dr. Marcelo Rumi, foi a By Pass com Y de Roux, ou seja, meu estômago foi grampeado e minha capacidade estomacal foi reduzida a 30%. O Y refere-se a um desvio de intestino.

É o método mais utilizado pelos cirurgiões em todo o mundo e, de acordo com Dr. Marcelo, a mais indicada para mim.

Até aí, tudo bem. Durante o meus quase dois anos de medicina preventiva, fui diversas vezes informada que o problema de uma cirurgia desse porte não é a cirurgia em si, mas o pós operatório.

Para realizar a cirurgia, é necessário jejum de sólidos nas 24 horas que a antecedem e após 24 horas de operados é que podemos dar início a dieta líquida. Vale lembrar que esse período de jejum após a operação, varia de acordo com o médico e a técnica.

Saí do Centro Cirurgico por volta das 18:30 e acordei no pós operatório as 20:30. Naquele momento, tudo que eu sentia era que explodiria. Parecia que estava inflando e que minha barriga não aguentaria tanto mal estar.

Fui para o quarto, no Hospital Vitória do Jardim Anália Franco, as 21:00 e lá a coisa pegou. Eram dores fortes na barriga, devido aos gases que me assombraram por muitos dias. Mesmo proibida pelo cirurgião, uma enfermeira comovida pela minha dor, me trouxe Dimeticona, o famoso Luftal, que ingeri em quase duas horas de tão devagar, mas colaborou para que eu pudesse dormir.

A primeira noite pós cirurgia foi daquele jeito. Terrível! Mas dei um jeito e dormi de lado.

Minha primeira refeição, se é que posso chamar assim, foi as 10:00 do dia seguinte e um copinho de 50ml de água, que levei mais ou menos uns 15 minutos para tomar.

Durante os primeiros 15 dias, a alimentação era líquida, ou seja, Gatorade, Chás, Água, Água de Coco, em copinhos de 50ml de 15 em 15 minutos.

No começo foi complicado. Imagina dizer para alguém que comia deliberadamente que não pode comer? Tentei encarar tudo com bom humor e prosseguir. Lá pelo 12º dia, eu já estava completamente acostumada à dieta e no 16º dia, passei para uma dieta pastosa.

Podia tomar caldos de legumes liquidificados, iogurtes, leite, biscoitos (desde que muito bem mastigados).

No 31º dia, começamos a introduzir alimentos aos poucos. Comecei a comer arroz (papinha) com caldinho de feijão, batata, purês, alguns legumes.

No 61º dia, fui liberada e pude comer de tudo.

Bem, tentei resumir minha jornada e não contei como foi o pós, mas vamos lá.

Sou uma pessoa completamente normal. Tenho uma vida normal, trabalho, estudo, brinco com meus sobrinhos e agora, minha preocupação maior é comer.

Sim, a vidou completamente. Deixei de viver para comer e como por um milagre, passei a comer para viver.

Hoje dependo exclusivamente da minha alimentação para ter uma vida saudável e tento fazer tudo direitinho. Como de 3 em 3 horas, alimentos ricos em vitaminas que contribuam para meu bem estar.

Realizei os exames dos 3 meses e felizmente tudo muito bem.

Na hora de comer, preciso me policiar para comer devagar, mastigando diversas vezes os alimentos a fim de evitar entalos e mal estar.

Minha porção de alimento ainda me assusta. Nos restaurantes self service, eu antes comia muito e hoje não consigo passar dos 250gr.

Bom para o bolso, bom para o corpo.

Na última quinta feira, fui liberada para realizar exercícios físicos. Faltam apenas uns 40 dias para acabar faculdade, então segura que eu vou malhar.

Como é minha vida pós gastro?

Normal. Regrada, exige atenção, mas é completamente normal e sadia.

Aí, me perguntam muito se eu estou feliz.

Muito!

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